Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: Montagem GD
A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, no último sábado (23), chocou o mundo fitness e reacendeu o alerta sobre os riscos da busca desenfreada por performance e padrões estéticos impostos nas redes sociais. O atleta teve uma morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica. A doença faz com que o músculo do coração fique anormalmente espesso e rígido, dificultando o bombeamento do sangue. O uso indiscriminado de hormônios e substâncias para ganho de desempenho pode agravar esses quadros cardíacos e aumentar o risco de complicações fatais.
O caso gerou grande repercussão nacional e levantou debates sobre os limites entre estética, saúde e pressão por corpos considerados “perfeitos”. Em entrevista ao GD, a nutricionista esportiva Ana Carolina Gatto afirmou que a busca pelo “corpo ideal”, impulsionada pelas redes sociais, tem levado cada vez mais pessoas a recorrerem a atalhos perigosos, como anabolizantes, insulina e protocolos sem acompanhamento profissional.
Ela alerta que resultados sustentáveis exigem constância, individualização e, acima de tudo, responsabilidade com a própria saúde. Para isso, respondeu a algumas perguntas sobre o assunto.
Gazeta Digital – Existe um caminho seguro para ganho de performance sem colocar a saúde em risco?
Ana Carolina Gatto – Com certeza, mas sem atalhos. Esse caminho jamais vai envolver o uso de esteroides anabolizantes, ou outros hormônios e peptídeos (como a insulina, o GH para fins estéticos ou de performance), já que esses estão associados a riscos iminentes para a saúde, e para a vida, seja a curto, médio, ou longo prazo. E aqui, quero deixar uma provocação: para qual finalidade o indivíduo busca performance? É atleta profissional? Por que essa classe representa uma porcentagem muito pequena, mas hoje, com o acesso às redes sociais, somos expostos diariamente a padrões atléticos, de pessoas que não vivem do esporte. Então, quando a gente fala de ganho de performance com segurança, precisamos ser conservadores e responsáveis.
Gazeta Digital – O que mais preocupa os nutricionistas hoje dentro do meio fitness?
Ana Carolina Gatto – Sem sombra de dúvidas, é o uso indiscriminado, e banalizado, de substâncias que promovem resultados rápidos, sem a mínima indicação ou acompanhamento adequados, seja o uso de medicamentos emagrecedores, implantes hormonais, suplementos orais ou injetáveis e, como citado anteriormente, a influência das redes sociais nessa tomada de decisão, e na produtização da saúde, que até mesmo, “profissionais” da saúde vêm colocando acima da proteção do paciente, por lucro.
Gazeta Digital – O uso de insulina e anabolizantes tem sido banalizado nas academias?
Ana Carolina Gatto – Sim, e não é de hoje, infelizmente! E isso é gravíssimo. A insulina, por exemplo, não é “mais uma estratégia”. É um hormônio potente, usado no tratamento de diabetes, e o uso inadequado pode causar hipoglicemia severa, convulsão, coma e óbito. Com os anabolizantes acontece algo parecido: muita gente fala como se fosse só “ciclo”, “dose mínima” ou “reposição”; até um nome disfarçado para mulheres inventaram (chip da beleza). mas são substâncias com potencial de efeitos graves a longo prazo, principalmente por serem usadas em doses suprafisiológicas em pacientes jovens, e combinadas com outras drogas.
Gazeta Digital – Muitas pessoas seguem protocolos da internet. Qual o perigo disso?
Ana Carolina Gatto – Um protocolo jamais servirá para diferentes pessoas em qualquer área da saúde, tudo deve ser individualizado. Não podemos generalizar. Então, o perigo, é que protocolo de internet não conhece seu histórico, seus exames, sua sintomatologia e sinais vitais, sua saúde mental, sua rotina, e nem seus limites. O que aparece como “resultado rápido” pode esconder perigos silenciosos em um primeiro momento, mas que podem vir à tona.
Gazeta Digital – Dá para alcançar resultado estético sem recorrer a substâncias extremas?
Ana Carolina Gatto – Com certeza, e esse caminho é mais simples do que se imagina. O básico, que muitas vezes é subestimado, funciona muito bem. O problema é que, hoje, o “padrão” estabelecido nas redes sociais parece distante e fácil, então algumas pessoas duvidam disso quando iniciam o processo sem um bom acompanhamento.
Gazeta Digital – Como equilibrar performance, estética e saúde?
Ana Carolina Gatto – O equilíbrio começa entendendo que estética não pode custar saúde. O corpo precisa responder bem a sono, disposição, exames, ciclo menstrual no caso das mulheres, libido, humor, digestão, intensidade de treino, hábitos alimentares e relação com a comida. Resultado bom não é só o que aparece no espelho. É o que a pessoa consegue sustentar, e ter uma melhora na qualidade de vida como um todo, sem comprometê-la.
Gazeta Digital – Que orientação você dá para quem quer ganhar massa muscular com segurança?
Ana Carolina Gatto – Minha orientação é, e sempre será: pare de procurar atalho e comece a construir base, se possível, com um bom acompanhamento profissional que torne esse processo o mais fácil e seguro possível! Treine bem, coma bem, durma bem, hidrate-se e tenha consistência!

































