Professora Mazé defende mobilização permanente contra a violência às mulheres

A campanha de conscientização contra a violência doméstica e o feminicídio não pode se limitar ao mês de agosto. Essa é uma das principais bandeiras defendidas pela professora Mazé, candidata a deputada estadual pelo PL, que tem percorrido municípios de Mato Grosso em encontros com mulheres para falar sobre prevenção à violência, participação feminina na política e fortalecimento da rede de proteção.

Para Mazé, o chamado Agosto Lilás deve servir como ponto de partida para uma mobilização que se estenda pelos 12 meses do ano. Ela chama atenção para o cenário de violência contra as mulheres em Mato Grosso e afirma que a proteção da vida precisa ser uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.

“Precisamos estar alertas e acordar uns aos outros. As mulheres precisam estar na vida política para fazer com que as leis sejam cumpridas neste país e para que sejamos efetivas em posições de destaque na sociedade e nos parlamentos”, afirma.

 

A defesa ganhou um significado ainda mais pessoal para a professora a partir de experiências vividas dentro da própria família. Segundo Mazé, sua filha também foi vítima de assédio sexual, situação que deixou marcas profundas e acabou reabrindo lembranças de episódios de violência e assédio que ela própria enfrentou durante a infância e a adolescência.

“Não bastasse isso, minha filha também sofreu assédio sexual, o que deixou marcas muito profundas na vida dela e continuou na minha vida, trazendo de volta tudo aquilo que eu havia sofrido quando criança e adolescente”, relata.

 

A experiência como educadora também passou a ser utilizada por Mazé em ações de orientação e prevenção. Durante a Copa do Mundo de 2014, quando Cuiabá recebeu visitantes de diferentes partes do mundo, ela foi convidada a realizar uma palestra na escola onde trabalhava sobre os cuidados que meninas e adolescentes deveriam ter diante do aumento do fluxo de pessoas na cidade e dos riscos relacionados à exploração e ao turismo sexual.

A partir dessas experiências, a professora passou a dedicar parte de sua atuação à orientação de jovens sobre relacionamentos abusivos e sinais que podem indicar comportamentos de controle e violência.

Segundo ela, é necessário ensinar meninas e mulheres a identificar desde cedo atitudes como tentativa de controlar a vida da parceira, ciúme excessivo, imposição de decisões e comportamentos possessivos. Para Mazé, reconhecer esses sinais pode ajudar a evitar que relacionamentos inicialmente marcados pelo controle evoluam para situações mais graves.

“Precisamos conscientizar as meninas para os relacionamentos, para que conheçam os indícios de um homem que poderá, mais à frente, causar prejuízos e até tirar a vida”, afirma.

De mulher para mulher

Essa pauta também está presente em uma série de encontros realizados por Mazé em diferentes municípios de Mato Grosso. Ao lado da presidente do PL Mulher em Mato Grosso e candidata a deputada federal, Gislaine Yamashita, ela tem participado de reuniões com lideranças femininas.

O percurso passou por cidades como Nova Olímpia, Tangará da Serra, Sapezal, Guarantã do Norte e Aripuanã. A proposta, segundo Mazé, é criar espaços para que mulheres compartilhem experiências, encontrem apoio e sejam estimuladas a ocupar espaços de participação social e política.

Professora Mazé e apresidente do PL Mulher em Mato Grosso e candidata a deputada federal, Gislaine Yamashita

 

Para ela, a presença feminina não deve ficar restrita às eleições. A professora defende que as mulheres participem de conselhos municipais, entidades comunitárias, conselhos de educação e organismos voltados à defesa dos direitos das mulheres.

“Uma líder levanta e descobre outra líder. É por isso que estamos com esse objetivo de fazer as mulheres visíveis, também na sociedade como um todo e na política”, destaca.

Mazé afirma que os encontros funcionam como uma via de mão dupla, na qual as participantes compartilham experiências e fortalecem umas às outras.

“São momentos ímpares em que a mulher tem liberdade para trocar experiências. Saímos encorajadas porque sabemos que as mulheres têm confiado em nós e na nossa experiência. Trocamos aquilo que nos faz melhores e mais fortes”, diz.

Violência doméstica afeta toda a família

Na avaliação da professora, os efeitos da violência doméstica ultrapassam a relação entre agressor e vítima e atingem toda a estrutura familiar.

Ela considera que a violência provoca impactos psicológicos, sociais e também econômicos, principalmente quando crianças convivem com ambientes marcados por agressões e medo.

“A violência doméstica desestrutura toda uma sociedade. É prejuízo financeiro e econômico, mas principalmente psicológico para todos os envolvidos”, afirma.

Mazé também relaciona a proteção das mulheres à construção de um ambiente familiar mais seguro para as crianças. Segundo ela, a família exerce papel fundamental na formação dos primeiros valores de convivência social.

“Essa família precisa ter estrutura para criar essas crianças, educá-las, para que possam ir para a escola, saber respeitar os mais velhos, respeitar os professores e viver em uma sociedade mais equilibrada e justa”, afirma.

Participação política

Ao defender maior presença feminina nos espaços de decisão, Mazé afirma que sua candidatura ao Legislativo estadual está ligada à intenção de atuar para que as leis existentes sejam efetivamente cumpridas.

A professora diz que pretende levar para a política a experiência acumulada ao longo da vida como educadora, mãe e avó, especialmente na defesa de mulheres em situação de vulnerabilidade.

“Venho também pedir votos para que eu consiga realizar e lutar ainda mais para fazer com que as leis existentes sejam efetivas no cumprimento de cuidar da vida das pessoas e, hoje, das mulheres que são vulneráveis e estão sofrendo muito com a violência e a morte no estado de Mato Grosso”, declara.

Para Mazé, o enfrentamento à violência contra a mulher exige a participação conjunta de homens e mulheres e uma mudança cultural capaz de romper com comportamentos de dominação e desrespeito.

“Precisamos eliminar essa cultura do nosso país e fazer com que mulheres e homens caminhem respeitosamente, um ao lado do outro”, conclui.

 

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